O que comemorar no dia 1º de maio de 2017???

Talvez estejamos em um dos momentos mais complicados da história “pós-democracia” deste país. Um momento em que setores e pessoas discutem direitos sociais sem a participação dos trabalhadores, e declararam guerra aberta a qualquer movimento sindical.

Não que o Sindicalismo não esteja passando da hora de se reinventar e partir para a defesa daquele que colocou o titular do Mandato pelo qual os dirigentes são eleitos: O trabalhador, a Categoria. De fato, é necessária uma profunda mudança de comportamento.

O Sindicalismo tem que entender que o trabalhador pode ter uma ideologia de esquerda ou direita, mas quer a proteção jurídica tutelada, não a ideologia dos titulares de cargos que dirigem o sindicato. Talvez, quando isto for compreendido, os Sindicatos voltem a ser frequentados pelo trabalhador, não interessa o partido, mas o trabalhador.

Nem tudo são flores, mas nem tudo são espinhos. Existem sindicalistas sérios, que neste momento estão nas ruas, tentando lutar por direitos sociais. Podem dizer que a luta é pela contribuição sindical, evidente que também é, não sou tão ingênua em desacreditar nisto. Mas, também é pela categoria, pelo trabalhador, e, de forma muito dificultosa, vem, pouco a pouco, despertando uma consciência sindical no trabalhador, que já estava adormecida. Talvez esse seja um elemento positivo das lutas nos últimos dias.

No dia 28 de abril, greve geral, em Uberaba, vários seguimentos estavam presentes, e ali, tinha gente de todas as ideologias, com sua camisa verde e amarelo, ou sua camiseta vermelha. Empunhavam suas bandeiras lado a lado. Essa foi a face mais bonita e agregadora do movimento que ocorreu em Uberaba, e pouco anunciado ou percebido pela mídia local.

Assim, os trabalhadores devem fazer essa reflexão, não parte do empresariado, que tem seus próprios sindicatos e instituições, os quais tem todo o poder econômico para fazer uma bancada no Congresso subjugar totalmente ao capital, até porque grande parte desta bancada são empresários e grandes proprietários rurais.

Não se pode dar armas desiguais para a luta de classe! Não se pode acabar com o Sindicato laboral, e fortalecer o Sindicato Patronal, porque o poder econômico que indústrias, bancos e multinacionais investem neste seguimento é muito grande. As discussões acerca da contribuição sindical estão longe de acabar, mas passa, necessariamente, pelo trabalhador, depois pode chegar ao Congresso.

Todas as mudanças legislativas demonstram um anseio de uma sociedade. Todavia, essas mudanças tendentes a reduzir direitos trabalhistas ou previdenciários representam interesses econômicos e rentistas, uma mera análise do texto da reforma trabalhista, que limita as ações na Justiça Trabalhista, impondo custas judiciais muito alta para quem ganha acima de R$ 3000,00 três mil reais, cerca de R$ 8.000,00 reais de multa, demonstra a restrição que a Justiça passará a ter. Hora, impossível um trabalhador que ganha R$ 3000,00 (três mil reais) se dispor imediatamente de R$ 8000,00, para pagar custas processuais.

Na reforma previdenciária abriu a previdência complementar do servidor público, que era fechada, para o mercado aberto, na prática, qualquer instituição financeira poderá participar de licitação para gerir a previdência complementar do servidor público, ou seja, se já tinha problema com a fechada, imagina na previdência complementar aberta, onde a fiscalização vai ser praticamente impossível.

Dia 1º de maio não há o que comemorar, apenas lutar, lutar e lutar! Lutar para que direitos trabalhistas e previdenciários não sejam usurpados. O trabalhador precisa do Sindicato agora, mais do que nunca!

Mesmo com seus problemas, eles, os sindicatos, estão dispostos a unir os trabalhadores, em razão de uma pauta comum, que é lutar contra a reforma trabalhista ou previdenciária. Após, com a reforma política, melhorando os instrumentos de consulta popular, como referendo e plebiscito, as contribuições sindicais poderão ser discutidas com a sociedade, mas, agora, ela está no meio de outras reformas muito mais nocivas que colocam o trabalhador num abismo com muita dificuldade de volta.

Diante disso, vamos à luta, onde houver uma chamada para luta contra redução de direitos, é lá que o trabalhador deve estar. Avante, e um reflexivo 1º de maio!

 

Um comentário em “O que comemorar no dia 1º de maio de 2017???

Adicione o seu

Deixe uma resposta

Powered by WordPress.com. Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: